Saiba como utilizar o autoconhecimento a seu favor em um processo seletivo

Participar de um processo seletivo é uma experiência um tanto quanto desafiadora e estressante e, considerando-se épocas de instabilidade política e econômica, o sucesso nessa experiência é muito desejado por todos. Para a aprovação do candidato em um processo seletivo é necessário que o mesmo tenha domínio de conhecimentos técnicos e gerais, mas principalmente o domínio de conhecimentos relativos à sua própria personalidade. Este conjunto de conhecimentos sobre sentimentos, valores e traços marcantes que um indivíduo tem dele mesmo é chamado de autoconhecimento e ultimamente tem sido  uma  habilidade que tem se mostrado o diferencial em muitos processos seletivos.

Autoconhecimento1

 

Mas o que é autoconhecimento?

O tema Autoconhecimento sempre foi alvo de questionamentos desde a antiguidade. Sócrates, milênios antes lançou a máxima “Conhece-te a ti mesmo”. Com o passar do tempo a humanidade percebeu que o autoconhecimento, além de uma preocupação filosófica, era uma questão inerente ao desenvolvimento humano e que precisava ser mais explorada. Hoje, o autoconhecimento é amplamente estudado pela Psicologia, Filosofia, neurociências, dentre outras ciências, para que as pessoas se conheçam melhor e a partir disso entendam a melhor forma de usar suas habilidades para impactar o mundo.

Listamos a seguir os principais pontos de reflexão sobre a importância do autoconhecimento:

  • Alinhamento entre vida pessoal e profissional

O primeiro ponto importante diz respeito à coerência que deve existir entre a experiência profissional e características individuais do candidato. É importante que ele analise bem se a missão, visão e valores da empresa estão alinhados com sua personalidade e seus objetivos: “Eu vejo sentido no que a empresa faz?” “É algo que de alguma forma se conecta ao meu propósito como profissional?” “Os valores da empresa estão alinhados com minhas convicções?” “Quais valores meus são inegociáveis e podem entrar em conflito com a cultura da empresa?” “Os objetivos da empresa tem sentido para mim a ponto de eu enxergar neles um propósito e não trabalhar apenas para gerar resultados?”

É importante que o candidato se faça questionamentos deste tipo, pois se está investindo tempo e energia na tentativa de pertencer a uma organização, ele deve se certificar que irá trabalhar em  com satisfação e que possa poder contribuir, não estando ali para ser mais um colaborador que trabalha no “piloto automático”.

  • O que é esperado X o que você tem para oferecer

Além disso, o candidato precisa conhecer bem a vaga em questão e fazer uma análise crítica se realmente possui o perfil ideal para aquele cargo: Quais são as competências exigidas para aquele cargo? Quais são os conhecimentos técnicos necessários? Quais os riscos envolvidos? Quais as responsabilidades que o contratado terá que arcar? Exemplo: talvez uma pessoa comunicativa e que não seja atenta a detalhes minuciosos não se adaptaria no Departamento de Qualidade de Processos, no entanto, suas habilidades seriam melhor aproveitadas em setores que exijam pessoas comunicativas como Marketing ou Vendas. A partir desse entendimento, o candidato será capaz de fazer uma análise crítica do quanto as suas habilidades o potencializa ou limita para atuar naquele cargo.

Certamente, as etapas que causam mais receio nos candidatos são aquelas em que está cara a cara com o recrutador e tem que mostrar na prática o porquê de merecerem ser contratados. Para o sucesso nessas etapas, é fundamental que o indivíduo se conheça, no mínimo, para responder às clássicas perguntas: Qual seu ponto forte? Qual seu ponto fraco? Além disso, o autoconhecimento o ajudará a se comportar da melhor forma quando estiver em situações de avaliação: “Como me comporto quando tenho que apresentar algo para alguém?” “Qual minha postura corporal durante uma entrevista?” “Quando estou nervoso, deixo transparecer isso na minha voz ou de alguma outra forma involuntária como movimentos repetitivos?” Perguntas como essas são norteadoras para que o candidato avalie seu comportamento e a imagem que passa durante entrevistas ou dinâmicas.

 

Como desenvolver o autoconhecimento?

Na realidade, não é possível desenvolver o autoconhecimento de uma vez, pois ele não é uma coisa pronta. A cada instante, estamos mudando, estamos evoluindo, temos de estar atentos a essas mudanças.

Separamos então algumas dicas para desenvolver o autoconhecimento:

  1.      Através da reflexão de sua trajetória pessoal

Todo caminho só existe porque alguém um dia o percorreu, assim sendo todo caminho é, em essência, a marca que o caminhante deixou no mundo. Da mesma forma é a vida, você só é o que é hoje por conta de determinadas experiências marcantes em sua trajetória pessoal. Essas experiências dizem muito sobre você e algumas perguntas podem ajudar a mapeá-las como:

  • Quais são as experiências mais tristes que eu tive? E as mais felizes? Como elas me marcaram?
  • Quando criança, quais eram meus passatempos preferidos?
  • Quando pequeno, quais eram meus sonhos ? Houve mudança? Se sim, por quê?
  • Qual foi o dia em que me senti mais confiante? Por quê?
  • Qual foi o dia em que me senti mais incapaz? Por quê?

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  1.      Experimente

Às vezes, no processo de autoconhecimento, surge o questionamento “Do que eu realmente gosto?” Por mais simples que essa pergunta possa parecer, ela não é óbvia. Vivemos em uma era marcada pelo fluxo constante e  abundante de informações e oportunidades. Mas, as oportunidades são tantas, que há o risco de haver uma  confusão  em saber o que realmente combina com a pessoa. A melhor forma de descobrir do que se gosta é entendendo a fundo, mas principalmente vivendo.

Essa dica é muito válida principalmente para estudantes do ensino médio que pretendem ingressar no ensino superior ou técnico, e profissionais que pretendem fazer transição de carreira. Pesquisar e conversar com pessoas que já vivenciaram aquilo ajuda, mas é um conhecimento indireto. A melhor maneira é sentindo na pele e depois procurar se questionar o quão conectado aquela experiência está com o perfil da pessoa.

  1.   Se questione

O sufixo “auto”, presente no termo autoconhecimento, indica um processo que é feito do indivíduo consigo mesmo. Nada melhor do que buscar informações na fonte produtora delas! Dessa forma, uma estratégia eficaz para se autoconhecer é pegar uma folha de papel em branco, ter em mãos lápis, caneta e borracha e  se fazer, respondendo sinceramente, os seguintes questionamentos:  

  • Quem sou eu?
  • O que me faz feliz?
  • Qual meu lugar favorito?
  • Qual meu maior sonho?
  • Qual meu maior medo?
  • Sou feliz hoje?
  • Como me imagino daqui 20 anos?
  1.   Ajuda externa

Por mais que uma pessoa se esforce em se automonitorar, há algumas características que são mais facilmente percebidas por uma perspectiva externa. Uma boa estratégia para identificar essas características é fazer para familiares, amigos, colegas ou quaisquer pessoas próximas da convivência, as seguintes  perguntas:

  • Qual você considera a minha maior qualidade?
  • Qual você considera que seja meu maior defeito?
  • Quando pensa em mim, qual a primeira palavra que vem à sua mente?

Após ter em mãos as respostas, analise-as criticamente e reflita o que realmente é algo seu e o que pode ser uma resposta enviesada ou projeção do outro. Uma boa dinâmica é se fazer as mesmas perguntas e depois comparar como você se vê e como as pessoas te veem.

Caso realmente queira investir mais profundamente processo de autoconhecimento, é aconselhável procurar profissionais qualificados como psicólogos ou coachings pessoais, eles saberão como guiá-lo nessa viagem fantástica dentro de si mesmo!

 

Natanael Augusto

Bárbara Carvalho

Marina Moulin

Vice-Presidência da RH Consultoria Júnior – UFMG

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