Você sabe qual a diferença entre trabalho prescrito e trabalho real?

Todos que já vivenciaram a experiência do trabalho sabem que há uma grande diferença entre o que está descrito na carteira de trabalho e as atividades que realmente são executadas no dia a dia. Estudos realizados em situações reais de trabalho permitiram evidenciar que o trabalho executado é muito mais que o previsto e percebido do exterior, aliás, ele é sempre distinto do planejado.

O conceito de trabalho prescrito, também chamado de tarefa, refere-se ao que é esperado no âmbito de um processo de trabalho específico, com suas singularidades locais. O trabalho prescrito está vinculado, de um lado, às regras e objetivos fixados pela organização do trabalho e, de outro, às condições dadas. Pode-se dizer, resumidamente, que indica aquilo que “se deve fazer” em um determinado processo de trabalho.

trabalho prescrito

Já o trabalho real, também chamado de atividade, acontece no encontro entre o “que deve ser feito” e o que “é feito” efetivamente e, é o trabalhador, individual e coletivamente, que faz a gestão de tudo isso no cotidiano, muitas vezes tendo que se adaptar a situações imprevistas. Ele pode ser definido como um processo de regulação e gestão das variabilidades e do acaso.  São atividades exercidas pelos trabalhadores para atender às exigências frequentemente conflitantes e, muitas vezes, contraditórias, que podem acontecer no decorrer do serviço.

Essa defasagem existente entre trabalho prescrito (tarefa) e trabalho real (atividade) se deve ao fato de as situações reais de trabalho serem dinâmicas, instáveis e submetidas a imprevistos. Isso acontece porque as prescrições são recursos incompletos, uma vez que desde a sua concepção elas não são capazes de contemplar todas as situações encontradas no exercício cotidiano de trabalhar. Portanto, a atividade de trabalho envolve estratégias de adaptação do prescrito às situações reais de trabalho, atravessadas pelas variabilidades e pelo acaso. Nesse sentido, trabalhar é gerir.

Do ponto de vista técnico, as variabilidades dizem respeito às oscilações normais do processo produtivo, como por exemplo, quanto a quantidade e tipo de produtos; atendimentos; procedimentos ou ações executadas pela empresa. Também resultam de imprevistos como falhas ou defeitos em equipamentos, problemas com instalações, inadequação ou falta de material; problemas relativos aos fluxos previstos e à comunicação; dentre outros.

Do ponto de vista dos trabalhadores, essas variabilidades estão ligadas, principalmente, às características das equipes, tais como qualificações e competências dos diferentes profissionais; se são majoritariamente compostas de mulheres, de homens ou mistas; e as diferenças culturais e de ritmo; entre outras. Também estão ligadas às mudanças de ‘estado’ de cada trabalhador durante a sua jornada, como condições de saúde, problemas extraprofissionais, nascimento de filhos, desenvolvimento de competências, expectativas e perspectivas profissionais, efeitos da idade, fadiga, etc.

trabalho real

Empresas que não possuem uma descrição efetiva dos cargos exercidos por seus funcionários, ou desconhecem totalmente a situação do clima organizacional e as necessidades e os anseios de seus empregados, estão fadadas a apresentarem esses problemas de forma mais acentuada. Uma vez que este descompasso entre “tarefa” e “atividade”, atrapalha o desenvolvimento efetivo das atividades exercidas, podendo ser minimizados através da implementação de ações estratégicas da gestão de pessoas.

Vale ressaltar que quanto maior for o descompasso entre o trabalho prescrito e o trabalho real, maior será o custo humano do trabalho, o que pode ser prejudicial à saúde física e psicológica dos trabalhadores, fazendo com que fiquem sobrecarregados e infelizes no ambiente de trabalho, afetando assim a sua produtividade, o que reflete diretamente no desenvolvimento da empresa e, consequentemente no lucro da mesma.

 

Ariel de Andrade

Assessor de Vendas da RH Consultoria Júnior – UFMG

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