Comunicação e as Organizações

Sócrates entrou para a história da filosofia como o pensador do diálogo, aquele que extraia as verdades em conversas simples pela cidade de Atenas. Ele talvez tenha nos ensinado, de forma implícita, duas coisas: que a inteligência precisa de estímulo e a maneira de encontrar uma razão para a vida é através da conversa. or outro lado, um provérbio finlândes dizia que “uma palavra basta para causar uma porção de encrencas”.

 

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A comunicação sempre tem um caráter paradoxal que esclarece, mas muda o original; aproxima, mas também pode afastar. Assim percebemos nas empresas, no geral, que a maior parte dos problemas perpassam por ela. Os motivos vão desde a personalidade e sentimentos dos membros até às próprias estratégias internas da empresa que são ineficientes. Podemos apontar alguns exemplos de fatores impeditivos do diálogo entre as pessoas no contexto de uma empresa:

  1. Timidez: não conseguir conversar ou ter vergonha da reação do outro que pode rir da sua opinião, sentindo isso como sendo catastrófico;
  2. Ignorância: a crença de não ter conhecimento para conversar, não ter inteligência ou “cultura”, a preferência é por ouvir, não opinar e permanecer calado mesmo não entendendo nada.
  3. Arrogância: ver a conversa como uma competição, uma disputa entre dois egos, d, preferindo a evitação do diálogo
  4. Esquecimento: ausência de experiências para serem ditas, depreciação das relações, preferência pela estima do outro em detrimento da sua própria.
  5. Medo: Ter pensamentos como: “encontrar uma pessoa é difícil – ela vai olhar pra mim, ela vai me interromper, vai discordar, vai querer me humilhar, prefiro conversar com o cachorro em casa!”
  6. Esnobismo: acreditar que as pessoas são inferiores a si, que elas não tem competência para conversar consigo, são fúteis, etc.
  7. Afastamento físico: existem barreiras geográficas que isolam os setores ou mesmo as pessoas dentro de um mesmo setor, impossibilitando o contato visual e verbal, muitas vezes mediados pelo meio virtual, nas redes sociais e tecnologias de comunicação.

Não é incomum nos vincularmos ou nos vermos em pelo menos um desses perfis/situações em algum momento da vida. Mais comum ainda, é utilizá-los como desculpas. Empaticamente podemos compreender tais defesas, mas existem condições realmente inibidoras que impossibilitam a comunicação, pelo menos verbal, entre as pessoas, como a esquizofrenia, o autismo, as afasias e quadros demenciais (Mal de Alzheimer, Parkinson). A sua empresa tem algum destes diagnósticos? Se não, devemos procurar entender o que realmente importa em linguagem. A maior parte dos infortúnios na comunicação resulta da fraqueza de vontade e para melhorar é preciso fazer progressivas mudanças.

Portanto, uma empresa que falha na comunicação, não aprende, não vive bem, não guardará a sua memória, não expandirá a sua atuação no mercado, entre outros problemas. Nada é fácil, mas se deve começar a tomar caminhos mais simples como estimular a compreensividade, arriscando uma conversa interessada, atenciosa e não inquisidora entre os funcionários. Estimular a curiosidade e criatividade dos membros propondo desafios e modos de se relacionarem para se conhecerem. Demonstrar interesse particularmente, valorizando a especificidade de cada um.

A comunicação na atualidade parece ter atingido o nível do impossível, no sentido que não se sustenta por muito tempo, quase sempre refletindo um vazio existencial. Se ela não é eficaz, já sabemos das consequências: maus entendidos, isolamento social, empobrecimento intelectual, pane geral da empresa. A humildade dos pequenos passos é essencial para conhecer novas possibilidades e, consequentemente ver o mundo com outros olhos.

Lembramos o camponês oriental Han Fei Tzu que conheceu os problemas do diálogo ainda no século III. Era sempre mal-interpretado, acusaram-no de frívolo quando tentava ser espirituoso; se emitia queixas parecia falso, se falasse fora de hora era punido. As pessoas o consideravam presunçoso, covarde, bajulador. Tornou-se aos poucos desconfiado e inibido. No entanto gostava de conversar e dar sua opinião, isso acabou em pena de morte, mas antes disso escreveu ensaios em que discutia a indignação solitária e as dificuldades do caminho da persuasão. No fim descobriu que o maior obstáculo à conversação consistia em não conhecer o coração da pessoa com quem fala, para adequar a seus modos. O problema maior é que o ser humano é em grande parte mistério. Se fossem previsíveis, não haveria inspiração e nem a diferença.

E a sua empresa, ela conhece realmente os funcionários que nela trabalham? O que tem feito em relação a isso? Talvez seja necessário um diagnóstico organizacional para esclarecer tais dúvidas e ajudar no seu desenvolvimento, crescimento e alcance de mercado pela efetivação da comunicação e melhoria dos relacionamentos.

 

Guilherme Bernardes

Pós Junior da RH Consultoria Júnior – UFMG

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