A urgência do tempo e seus impactos pessoais e para o grupo

 

 

É comum as pessoas falarem que não estão tendo tempo para realizar todas as atividades desejadas, que o dia precisaria ter mais horas para darem conta de tudo. Isso demonstra uma preocupante realidade na qual os indivíduos que pensam dessa maneira possivelmente estão submetidos a “urgência do tempo”, termo utilizado para denominar pessoas com hábito de realizar tarefas de forma acelerada e que vivenciam experiências de forte ansiedade e obsessão com a escassez do tempo. Essa visão de não ter “tempo suficiente” afeta negativamente a pessoa, pois ela sofre de desgaste profissional ou reduzindo seu desempenho por não conseguir pensar com determinada clareza pela preocupação com os prazos que devem cumprir.

TEMPO

 

Em um artigo do The Wall Street Journal, foi descrito comportamento típicos dos “rushers”, como interromper a fala de outra pessoa e mexer no celular, ou outros aparelhos, antes do final da conversa. Gerentes que possuem esse padrão tendem a dar prazos irreais, sobrecarregar seus colaboradores e priorizar de forma errônea. Portanto, percebe-se que a correria e a pressa de um indivíduo não afeta apenas ele, mas também o grupo do qual ele faz parte, causando secondhand stress, pois eles acabam por promover estresse nos membros da sua equipe, por tentar impor essa urgência de tempo e podem torná-los reativos ao seus superiores em vez de proativos, além de levar o questionamento dos colaboradores sobre seu próprio valor, pois os “rushers” aparentam grande importância por estarem sempre ocupados.

 

A explicação de como funciona o secondhand stress passa por aspectos biológicos e culturais. Em relação ao primeiro, observa-se a participação dos neurônios espelho, células cerebrais que foram recentemente descobertas e trabalham como uma Wi-Fi neural que permite navegar no mundo social. No artigo Inteligência Social e a Biologia da Liderança os autores Daniel Goleman e Richard Boyatzis explicam o funcionamento dessa classe de neurônios falando que “Quando detectamos as emoções de outra pessoa através das suas ações, seja consciente ou inconscientemente, nossos neurônios espelhos reproduzem essas emoções.” Assim, quando uma pessoa está estressada, os neurônios espelhos da pessoa que observa reproduz a sensação de estresse. Quanto a questão cultural, o texto de Meredith Fineman para Harvard Business Review trabalha sobre a competitividade. Quando alguém fala “o quão ocupado está” a imagem que tenta passar é “o quão mais importante ele é” ou “o quão mais valioso é o tempo dele” fazendo com que a pessoa que não está ocupada questione seus valores, provocando, então, o engajamento em comportamentos   típicos de quem tem urgência de tempo, não sendo a forma mais produtiva.

 

Na conclusão de seu artigo, Fineman diz: “Por uma vez, eu gostaria de ouvir alguém se gabar de suas excelentes habilidades de gerenciamento de tempo, em vez de se queixar sobre o quanto eles não conseguem fazer.” Essa é uma ideologia que deve ser praticada, em especial por gerentes, visando não provocar aumento do seu próprio estresse e nem afetando a sua equipe. Além dessa há outras formas de promover produtividade de formas positivas, como estabelecendo prazos realistas, assim como escolhendo o melhor horário e ritmo para projetos. Outra regra que pode ser muito eficiente é propor limites, tanto para os hábitos de comunicação, quanto para o tempo e carga de trabalho, fazendo com que não ocorra a reatividade do colaborador em relação ao seu superior.

 

Portanto, a ideia de que produtividade está vinculado a quão ocupada a pessoa não é correta, pelo contrário, pode ocasionar em desgastes tanto para o indivíduo quanto para sua equipe. Por isso, é preciso sempre buscar formas de reduzir o nível de estresse dos colaboradores e buscar motivar a equipe.

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